
domingo, 26 de abril de 2026· 10.4472, -75.2615
Flores brancas no tronco esquecido
Por José Marin
José Marín caminhava pela floresta úmida da Fundación Loros quando algo branco entre a serapilheira chamou sua atenção. Sobre um tronco velho, rendido à decomposição e coberto de musgo e plantas rasteiras, crescia uma família de cogumelos de chapéus amplos e ondulados, quase translúcidos sob a luz filtrada pelo dossel. Ele os registrou com sua câmera antes que a tarde se fechasse de vez.
As fotografias revelaram características compatíveis com o gênero Pleurotus, conhecidos popularmente como oyster mushrooms ou cogumelos ostras. São organismos especializados na madeira morta: decompõem-na lentamente, devolvendo seus nutrientes ao solo da floresta. Naquele tronco esquecido não havia derrota — havia trabalho silencioso.
O achado, georeferenciado nas coordenadas 10.4471772, -75.2614572, acrescenta mais uma peça ao inventário vivo da reserva. A biodiversidade de Loros não apenas voa ou trepa: também cresce devagar, branca e calada, nos cantos que menos olhamos.
