Por Alejandro Rigatuso, Fundador y Director de Fundación Loros
A veterinária Alessandra o tomou com cuidado entre as mãos enluvadas, envolveu-o em tecido e aproximou a lima do bico. O loro B84 — um perico de plumagem verde-brilhante com reflexos amarelos na cabeça — havia chegado ao procedimento com uma deformidade que já fazia tempo chamava a atenção da equipe: seu bico, descascado e mal formado, torcido para o lado como se o animal carregasse uma pergunta perpétua no rosto. A intenção era corrigi-lo com lixamento, mas a lima confirmou o que já se suspeitava: a malformação havia calcificado em osso. Não houve sangramento. Não havia mais nada a fazer.
O que restou depois da tentativa foi a certeza de que o bico torto já não é uma ferida nem uma condição a corrigir — é simplesmente B84. E B84, com esse bico que ninguém poderá endireitar, come bem. Se defende, agarra, mastiga. As fotografias do dia documentam o antes e o depois do procedimento, mas sobretudo documentam um loro que encontrou o seu jeito de viver com o que tem.
Sobre el autor
Alejandro Rigatuso · Fundador y Director de Fundación Loros
Alejandro Rigatuso chegou à Fundação Loros após anos como vice-presidente de Growth Marketing na Toptal, e trouxe consigo um olhar pouco convencional: sabe que um animal está bem pelos olhos, "bem, bem abertos". Lorenzo, o primeiro papagaio liberado, recapturado várias vezes e sempre devolvido ao voo, o marcou para sempre. Ao entardecer, perto das cinco e meia, você o encontra no Mirador de las Ciénagas ou rondando o Cerro El Peligro, imaginando torres de observação e centenas de papagaios nativos sobrevoando uma reserva que uma comunidade inteira sinta como sua.
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