Quando Nilson saiu para percorrer sua propriedade no setor Vista Hermosa, o bosque de carvalhos já havia tomado a dianteira: o sub-bosque inteiro — aquela camada discreta que costuma passar despercebida — estava coberto de flores rosadas e amarelas. Entre elas, uma cucurbitácea silvestre abria suas cinco pétalas amarelas como se fossem pequenos sóis caídos ao chão, enquanto nas galhos mais altos as mesmas árvores exibiam sua floração rosada contra um fundo de céu cinza e ramos ainda sem folhas. Era a estação seca cedendo lugar a outra coisa.
O bosque não demorou a se encher de movimento. Nas árvores e ao redor delas, o chau chau e o carpinteiro saltavam de galho em galho, e mais abaixo borboletas e libélulas se moviam entre as flores com aquela calma particular que os insetos têm quando o alimento abunda. Nilson documentou tudo: três fotos e dois vídeos que mostram o estado dos carvalhos em plena transição, com o sub-bosque transformado por alguns dias em algo parecido com um jardim sem dono.
Foi um daqueles achados que não se planejam. Nilson não saiu à procura de nada em especial — simplesmente vive ali, conhece aquele bosque, e soube reconhecer que o que estava vendo merecia ser contado.
Sobre el autor
Nilson
Nilson começa cada manhã no estábulo, ordenhando enquanto a luz mal toca o morro El Peligro, seu canto preferido da fazenda. Sabe ler os animais com precisão: um pelo opaco, olhos lacrimejantes ou uma manqueira ao se levantar são sinais que não lhe passam despercebidos. Lembra com clareza de uma vaca que caía de fraqueza nas patas e de outra com uma ferida que nunca fechava. O mais difícil, diz ele, é quando um animal adoece e o diagnóstico demora a chegar. Sua visão de futuro é simples e precisa: um bando de loros sobrevoando livremente o território, e os vizinhos olhando para o céu.
Mantente en contacto
Recibe las novedades de la reserva
Fotos de antes y después, protocolos de manejo, eventos y las historias de cada individuo — directo a tu correo.