O clavellino que anunciou a tarde em Vista Hermosa
Por Nilson
Foi Nilson quem notou primeiro. Ali, na entrada principal do setor Vista Hermosa, o clavellino havia despertado de súbito: galhos inteiros cobertos de flores amarelas que às cinco da tarde brilhavam como se carregassem luz própria. A árvore — possivelmente uma Caesalpinia, com sua folhagem fina e pinada e as longas vagens pendendo entre as folhas — havia florescido sem avisar, daqueles presentes que o campo oferece quando menos se espera.
As fotos do dia 14 de março contam mais do que aparentam: atrás do clavellino, uma caixa-ninho de madeira instalada nas alturas aguarda em silêncio seus futuros inquilinos, e na parede do lado direito, um mural pinta um loro verde entre folhas tropicais. A entrada do setor ficou assim retratada em um único quadro: flores, abrigo e memória das aves que este lugar deseja ver retornar.
Esse amarelo aceso contra o céu azul do entardecer caribenho foi a imagem do dia na reserva. Às vezes uma única planta em flor é suficiente para que a gente pare, olhe e se lembre por que vale a pena estar aqui.
Sobre el autor
Nilson
Nilson começa cada manhã no estábulo, ordenhando enquanto a luz mal toca o morro El Peligro, seu canto preferido da fazenda. Sabe ler os animais com precisão: um pelo opaco, olhos lacrimejantes ou uma manqueira ao se levantar são sinais que não lhe passam despercebidos. Lembra com clareza de uma vaca que caía de fraqueza nas patas e de outra com uma ferida que nunca fechava. O mais difícil, diz ele, é quando um animal adoece e o diagnóstico demora a chegar. Sua visão de futuro é simples e precisa: um bando de loros sobrevoando livremente o território, e os vizinhos olhando para o céu.
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