Por Alejandro Rigatuso, Fundador y Director de Fundación Loros
No piedemonte do santuário, José Marín conseguiu pegar o celular a tempo. O que ele gravou não se vê todo dia: uma tayra subindo com determinação pelo tronco de uma ceiba, direto em direção a um ninho de coruja. Lá em cima, entre os galhos, os chao chao já estavam piando — aquele pio nervoso e repetido que na semana passada também soou quando uma víbora patoco andava perto de Carlos. Eles avisam assim, em grupo, quando algo não está certo.
A tayra chegou ao ninho sem hesitar. Jogou o filhote no chão. O pequeno não sobreviveu à queda. Não sabemos que espécie de coruja era — isso ficará sem resposta por ora — mas o registro ficou em dois vídeos que José teve a sorte de capturar no momento exato.
O que mais chama a atenção não é apenas a predação em si, mas a cadeia de sinais que a cercou: os chao chao funcionando como um sistema de alarme coletivo, alertando quem soubesse escutar. No piedemonte, a selva fala antes que qualquer coisa aconteça.
Sobre el autor
Alejandro Rigatuso · Fundador y Director de Fundación Loros
Alejandro Rigatuso chegou à Fundação Loros após anos como vice-presidente de Growth Marketing na Toptal, e trouxe consigo um olhar pouco convencional: sabe que um animal está bem pelos olhos, "bem, bem abertos". Lorenzo, o primeiro papagaio liberado, recapturado várias vezes e sempre devolvido ao voo, o marcou para sempre. Ao entardecer, perto das cinco e meia, você o encontra no Mirador de las Ciénagas ou rondando o Cerro El Peligro, imaginando torres de observação e centenas de papagaios nativos sobrevoando uma reserva que uma comunidade inteira sinta como sua.
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