Por Alejandro Rigatuso, Fundador y Director de Fundación Loros
No dia 18 de março, perto da casa do paraíso, Maicol ergueu a câmera com cuidado e capturou algo que não esperava: um Cucarachero Chocorocoy (Campylorhynchus nuchalis) forrageando entre galhos secos e folhas enroladas, como se o mundo não existisse além daquela trama árida. A ave se movia devagar, confiante, exibindo sua plumagem mosqueada em branco e preto enquanto farejava a vegetação.
Mas foi um detalhe que fez Maicol manter o olho colado ao visor: um bigode negro, marcado e nítido, que cruzava o rosto do pássaro com uma elegância quase cômica. Em todos os seus anos percorrendo o santuário, jamais havia visto essa característica tão pronunciada em um Chocorocoy. Três fotos conseguiu tirar antes que a ave desaparecesse entre o matagal.
O Campylorhynchus nuchalis é uma espécie comum nas zonas áridas do norte da Colômbia, conhecida pelo seu temperamento barulhento e pela plumagem inconfundível. Mas naquele dia, nas 520 hectares da Fundación Loros, um deles se deu ao luxo de ser um pouco mais memorável que os demais.
Sobre el autor
Alejandro Rigatuso · Fundador y Director de Fundación Loros
Alejandro Rigatuso chegou à Fundação Loros após anos como vice-presidente de Growth Marketing na Toptal, e trouxe consigo um olhar pouco convencional: sabe que um animal está bem pelos olhos, "bem, bem abertos". Lorenzo, o primeiro papagaio liberado, recapturado várias vezes e sempre devolvido ao voo, o marcou para sempre. Ao entardecer, perto das cinco e meia, você o encontra no Mirador de las Ciénagas ou rondando o Cerro El Peligro, imaginando torres de observação e centenas de papagaios nativos sobrevoando uma reserva que uma comunidade inteira sinta como sua.
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