
viernes, 5 de junio de 2026
A mata caballo e a rana dorada do quiosque
Por Omar Enrique Verdugo Cabeza, Cuidador de las aves·Revisado por Alejandro Rigatuso
Era dez e meia da manhã do dia 28 de maio quando Omar Enrique Verdugo Cabeza lavava as bandejas de alimentação dos papagaios, lá no quiosque de Vista al Lago Uno, e algo no meio do mato chamou sua atenção. No primeiro momento pensou serem duas serpentes correndo juntas — uma atrás da outra entre o verde cerrado. Foi um segundo depois que percebeu: o que fugia não era uma cobra, mas uma rana de coloração amarelo-dourada, escorregando entre as folhas com o desespero de quem sabe que o tempo se esgota.
O que mais o impressionou foi a técnica da mata caballo: o corpo estendido rente ao chão, invisível no meio da vegetação, e a cabeça erguida no ar, girando, rastreando, lendo o mundo com aquela língua bífida que não descansa. Quando o mato parou de se mover, a serpente baixou a cabeça. A caçada havia terminado. Omar se aproximou e a encontrou se alimentando da rana. Esperou.
Quando terminou de comer, a mata caballo ficou quieta e o encarou. Projetava a língua uma e outra vez, com calma, como quem reconhece um vizinho sem nenhum alarme. Por estas bandas a chamam de mata caballo pelo tamanho, pela rapidez e por aquele temperamento que aflora quando a acossam — embora com quem a respeita, dizem, ela não procure briga. Omar tirou a foto. O território, como sempre, seguia o seu curso.
Sobre el autor
Omar Enrique Verdugo Cabeza · Cuidador de las aves
Omar trabalha na Fundação Loros desde 2023. Conhece a mata e o Cerro El Peligro melhor do que ninguém. Fez o caminho de caçador a guardião da fauna. Hoje, os papagaios o reconhecem e o seguem quando ele volta para casa, reflexo de um vínculo construído com respeito e transformação.
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